Lembranças passadas e futuras da Copa do Mundo
Eu sempre gostei de futebol e considero que a primeira Copa que assisti de verdade foi a de 1990. Eu ganhei o álbum e economizei minha mesadinha pra comprar figurinhas. Sabia cada jogador de cada seleção do Mundial.
No entanto, o evento Copa do Mundo significa, no final das contas, muito mais do que se pode resumir no tempo oficial, dentro do estádio. Pelo menos para nós, brasileiros, a Copa é um evento que começa muito antes do primeiro apito e, ao longo dessas semanas, vai se entrelaçando com a nossa vida cotidiana.
O 'ser liberado mais cedo da escola', o 'pegar o metrô ultra mega lotado' pra voltar pra casa pra ver a partida, o look pra assistir a cada jogo, o ranço desse ou daquele jogador por meses a fio (porque caiu, porque chorou, porque perdeu um pênalti, porque ficou arrumando a meia e deixou buraco na lateral do campo), pintar a rua, a casa, a cara, colocar bandeirinhas, fazer suas apostas no Bolão do trabalho-família-grupo-de-amigos... A Copa faz parte da nossa cultura, ninguém consegue passar por ela impune.
Mas e se você não está no Brasil? Como é que fica? O que muda? Como se sente?
Então a lembrança do dia é da Copa de 1998. Adolescente, assisti a todos os jogos com meus amigos, muitos deles num reduto tijucano chamado carinhosamente de Alzirão. No dia da final, no entanto, eu tinha um voo pra França. Vesti minha camisa azul e fui pro aeroporto, onde encontrei os demais intercambistas também devidamente uniformizados. De quem foi a maldita ideia de voar no dia da final? Para o país sede da Copa naquele ano? Uma partida justo Brasil x França? Nunca saberemos.
Fato é que quando aterrissamos no país europeu o jogo já tava perdido. A ficha começou a cair quando os franceses no próprio aeroporto gritaram na cara do nosso grupo de adolescentes uniformizados o placar: 3 x 0 (trois zero!).
A ficha só terminou de cair quando ouvi uma voz - talvez vendo a minha cara de 'processando informação': "sim, a gente perdeu. Ronaldinho (como chamávamos o Ronaldo Fenômeno na época) teve uma crise convulsiva". Olhei pra direção de onde vinha a voz: era nada mais nada menos que o icônico Gilberto Gil, visivelmente desapontado, como nós.
Desnecessário dizer que na época não tínhamos acesso à internet tão facilitado quanto hoje, e como não me dei ao trabalho de ver o jogo em nenhum tipo de reprise, essa é a minha lembrança da final que destruiu o coração de tantos brasileiros da minha geração, Gilberto Gil não era exceção.
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