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O que fazer quando seus instintos se desenvolveram para sobreviver à insegurança urbana?

 Um desses aplicativos que te fazem recordar de fotos e vídeos feitos naquela mesma data, mas em anos anteriores, me fez entrar em contato com as descobertas de recém-chegada à Alemanha. É impressionante como a gente normaliza rápido as coisas e se adapta às situações. Hoje a maior parte desse estranhamento inicial já passou, mas eu lembro bem o sentimento de alguém que cresceu em uma das cidades mais violentas do Brasil e que tinha que, constantemente, estar ligada no entorno, com todos os alarmes mentais ligados na tentativa de evitar me colocar em uma situação de risco se ver tendo que passar por uma espécie de túnel de tapume que eles colocam na rua quando estão fazendo obras para que os pedestres passem em segurança. O que pra eles era sinal de segurança, pra mim era totalmente alarmante. Fiquei tentando encontrar alternativas à passagem por aí, depois fiquei de fora observando as pessoas que entravam e saíam dali normalmente, sem sequer se questionar, enquanto eu estava imers...

Lembranças passadas e futuras da Copa do Mundo

 Eu sempre gostei de futebol e considero que a primeira Copa que assisti de verdade foi a de 1990. Eu ganhei o álbum e economizei minha mesadinha pra comprar figurinhas. Sabia cada jogador de cada seleção do Mundial.  No entanto, o evento Copa do Mundo significa, no final das contas, muito mais do que se pode resumir no tempo oficial, dentro do estádio. Pelo menos para nós, brasileiros, a Copa é um evento que começa muito antes do primeiro apito e, ao longo dessas semanas, vai se entrelaçando com a nossa vida cotidiana. O 'ser liberado mais cedo da escola', o 'pegar o metrô ultra mega lotado' pra voltar pra casa pra ver a partida, o look pra assistir a cada jogo, o ranço desse ou daquele jogador por meses a fio (porque caiu, porque chorou, porque perdeu um pênalti, porque ficou arrumando a meia e deixou buraco na lateral do campo), pintar a rua, a casa, a cara, colocar bandeirinhas, fazer suas apostas no Bolão do trabalho-família-grupo-de-amigos... A Copa faz parte da n...

Por quê Alemanha?

 Por alguma razão que não consigo explicar em palavras, sempre tive grande fascínio pela Alemanha e sua conflituosa história. Sempre quis conhecer o país e me imaginava falando esse idioma tão diferente do nosso e que, para muitos, parecia agressivo e feio. Até consegui convencer ao Instituto Goethe a me receber como aluna, embora a idade mínima para participar do curso fosse 14 anos e eu tivesse 13 à época. Não fui muito longe no curso - abandonei logo após o primeiro módulo - talvez por falta de maturidade mesmo em insistir em um idioma que não ia fazer muita diferença no meu dia-a-dia carioca. A vida foi acontecendo, melhorei meu inglês, fiz intercâmbio na França, até que meu melhor amigo, filho de pai alemão, se mudou para o país germânico aos 19 anos. A ideia dele era fazer a universidade e, depois, quem sabe. E nunca mais voltou. Foi somente em 2017, quando fui visitar esse amigo e sua esposa em Frankfurt, onde viviam à época, que, ao comentar minha vontade de fazer um ano sa...